A candidata Técia Soares, 23 anos, comemorou a autorização das vagas e já começou a estudar para os concursos a nível federal
Foto:  Alexandre Vieira / Agência O Dia

Apesar da crise orçamentária, União anuncia chances com salários iniciais de até R$ 12 mil

 

Stephanie Tondo

Rio - Em meio a um ano de ajuste fiscal, os concurseiros têm motivos para comemorar. O Orçamento deste ano, sancionado pela presidenta Dilma Rousseff e publicado quarta-feira no Diário Oficial da União, traz a autorização para abertura de 26.811 vagas em concursos públicos a nível federal. Os salários iniciais chegam a até R$ 12 mil. Vale lembrar que o projeto de lei da Terceirização, aprovado na Câmara e que irá ao Senado, não atinge as áreas autorizadas, por se tratar de carreiras de estado. A lei impacta, principalmente, empresas públicas, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Petrobras.

De acordo com a tabela publicada pelo governo, são 22.463 vagas para o Executivo Federal e mais 1.399 para substituição de terceirizados nesse setor. Já para o Legislativo são 258 vagas para a Câmara dos Deputados, 100 para o Senado e 60 para o Tribunal de Contas da União (TCU).

No Judiciário são 139 vagas para a Defensoria Pública da União, 90 no Ministério Público, 18 no Conselho Nacional do Ministério Público, 130 no Superior Tribunal de Justiça e 366 na Justiça Federal. Também foram autorizadas vagas na Justiça Militar da União (10), na Justiça Eleitoral (231), na Justiça do Trabalho (1.236) e na Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (311).

Diretor pedagógico, Paulo Estrella afirma que o número de vagas é bastante aceitável em um ano de cortes no orçamento, mas a demora na autorização pode criar problemas para quem quer ingressar na carreira pública. “Ficou muito perto do segundo semestre, o que vai gerar uma concentração de processos seletivos no fim do ano. Os candidatos terão pouco tempo para estudar entre um concurso e outro”, explica o especialista.

Para Rodrigo Mesquita, professor de curso preparatório, o ideal é começar a estudar o quanto antes. “Com a autorização, daqui a pouco começam a ser publicadas as portarias específicas para os concursos. Depois disso, são seis meses para que o edital seja publicado. Então é importante iniciar os estudos”, avalia.

Estudante de Direito, Técia Soares, 23 anos, já começou a se preparar. Ela pretende fazer prova para o Tribunal de Justiça, o Ministério do Trabalho e o Banco do Brasil. “Tem muita concorrência, mesmo com essa quantidade de vagas”, diz.

A estudante de Belas Artes Gabriela Florentino, 19 anos, comemorou o número autorizado pelo Planejamento, mas ainda tem receio com relação à distribuição das vagas: “Tem que ver quais áreas serão beneficiadas, porque de repente as pessoas estão estudando para um concurso, mas acaba que é aberta seleção para área que elas não esperavam”.

Área de segurança em destaque

Rodrigo Mesquita acredita que sejam criadas oportunidades principalmente nas áreas fiscais e de Segurança Pública. Já Paulo Estrella aposta nas áreas de Saúde e Educação. “Também são esperadas oportunidades para a Polícia Federal, Ministério da Fazenda e Receita”, avalia.

De acordo com Estrella, os candidatos devem começar a estudar as matérias básicas, como direitos Constitucional e Administrativo, além de Língua Portuguesa e Informática, que são comuns a todos os processos seletivos. “A partir daí, o estudante aponta para as específicas”, aconselha.

Mesquita acrescenta ainda que para a área fiscal é importante se dedicar ao estudo de Direito Tributário, assim como Contabilidade, Estatística e Matemática Financeira.